domingo, 18 de fevereiro de 2018

CONVERSA DE VÉIO e RECICLANDO (coluna AOS DOMINGOS PELLEGRINI)


   Conversa de dois idosos na academia ao ar livre: 
   - Então, de novo aqui no estica-véio...
   -Pois é, enquanto a danada não chama, a gente vai ouvindo os sabiás. E o carnaval, pulou onde?
   -Na cama, na cadeira de balanço e na rede. Filha diz que cadeira de balanço é coisa obsoleta, falei então me pega todo dia no colo e balança, aí pode pinchar fora a cadeira. 
   - E obsoleto ficou o telefone fixo, javiu? Menino, eu via meu pai esperar dois dias para fazer um interurbano...
   Palavra que nem existe mais. Bisnetinha diz que com o tal uatsap a gente pode falar com Pequim de graça, mas eu não tenho nadinha pra falar com Pequim. Queria era falar umas coisinhas para uns e outros da política assim olho no olho, sacumé?
   Sei, mas eu tô me acostumando com o uatsap, mesmo sem entender como é que uma coisa funciona sem custo. Meu medo é que, quando estiver entendo direito, inventam um outro trem, é tanta novidade tão ligeiro que...dá medo. Nem enterram gente mais, só cremam. Aliás, lembrei de creme. Levei o bisneto na sorveteria, tinha sorvete de tudo quanto é tipo, menos de creme, perguntei porque, disseram ah, ninguém mais pede creme...
   - Mas daqui a pouco o creme volta com tudo, que nem lomplei, que quase acabou e agora é moda. Se eu tivesse menos de setenta, abria a Sorveteria da Saudade: só pistache, creme, morango, coco e amendoim. 
   - Amendoim não posso comer, minha véia reclama que eu fico muito assanhado...
    Devia ter me avisado que era pra dar risada  Meu genro é assim, conta piada tão sem graça que só ele ri.
   - Já o meu conta piada que ninguém entende. 
   - Meu neto contou esta: qual a doença que o pneu mais pega? Pneumonia. 
   -Que matou o Tico, vinha aqui todo dia, dizia que estava ótimo e...
   esticou de vez. E a gente aqui esticando a aposentadoria para chegar no fim do mês. 
   -Ganhando duas vezes menos que o tal auxílio-moradia de juiz. Será que a gente vai embora sem ver o Brasil criar vergonha?
   Pois é, no Brasil se cria desde zebu até avestruz, só não se cria vergonha. 
   - Porque o povo é muito pamonha.
   - Minha vó já dizia que falta berço, escola, terço e cachola.
   - Mas meu bisneto outro dia me pediu a bênção, pode acreditar. Chegou de mansinho e: a bênção, vô. Até marejou a vista. Aí ele piscou: amanhã é meu aniversário, me dá um tablete de presente? Dei um tablete de chocolate. Tô ficando esperto. 
   - E ele gostou? 
   - Me deu um pente de presente. 
   - Mas você é careca!
   - Entendeu? 

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   NOTÍCIA DA CHÁCARA 
     RECICLANDO 

   Seu nome é Marco Antônio Xavier, e a profissão ele fala de boca cheia: reciclador. Passa pegando os papéis, plásticos e vidros, e toma o suco com que retribuímos a lição que nos dá: leva o lixo, deixa alegria. Sempre sorrindo, sem reclamar, com disposição para tudo resolver de algum jeito inventivo. Leva mesmo o que não tem valor para reciclagem, encaminha para alguém que de algum jeito usará, com cabos de vassoura que vai enfiando num tubo “pra não atravancar o carrinho”. 
   Aliás, carrinho com estrutura metálica e guarda-sol, “pra trabalhar direitinho”. Exemplo a ser seguido num país onde tanta coisa mal funciona e – conceito a ser reciclado – o trabalho ainda é visto como castigo. Mas os catadores reciclam o futuro todo dia. (FONTE: textos escritos por DOMINGOS PELLEGRINI, d.pellegrini@sercomtel.com.br página 3, caderno FOLHA 2, coluna AOS DOMINGOS PELLEGRINI, 17 e 18 de fevereiro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

PESSOAS QUE SÓ SE RELACIONAM COM MÁQUINAS


   O fenômeno cocooning – que significa “aconchego do casulo” – aponta um tipo de comportamento no mundo contemporâneo. Se parece poético falar de uma pessoa excessivamente centrada em si mesma – que tem pouco ou nenhum contato social, preferindo viver em casa – por outro lado, há quem aponte que isso pode gerar comportamentos esquizoides, levando à angústia, à frustração e ao medo de enfrentar a realidade. 
   O Japão, um dos países mais tecnológicos do mundo, criou outro termo para essas pessoas, geralmente trancada com seus computadores, apontando para uma mudança de comportamento que leva a relações extremas entre homens e máquina, como o abandono completo das relações sociais e de grupo. Lá, esses isolados se chamam Hikikomori, termo para o qual os britânicos também já têm uma expressão própria: NEET. 
   Os japoneses estão preocupados com o que já consideram um síndrome: o número crescente de pessoas, sobretudo do sexo masculino, entre 15 e 39 anos, que se relacionam basicamente com o mundo digital. Quem criou o termo foi o psicólogo japonês Saito Tamaki, nos anos 1990, ao observar que no Japão cerca de um milhão de jovens do sexo masculino sofre desse distúrbio que leva à extrema exclusão e isolamento social.
   Ao traçar o perfil dessas pessoas, notou-se que a maioria vive em ambiente de muito conforto e tecnologia, entre seus interesses marcantes estão os mangas, animes e videogames, embora isso não seja uma regra. Mas vivendo numa concha, eles não trocam esse tipo de entretenimento por coisas que seriam naturais para outras gerações: como a roda de amigos ou reuniões familiares. Essas pessoas quase sempre chegam também aos 40 anos dependendo financeiramente dos pais, mas o que pode parecer “vagabundagem” é, sobretudo, o medo de enfrentar o mundo. Na verdade, com o isolamento, eles têm um medo cada vez maior de contatos. Geralmente não param em empregos e desenvolvem baixa autoestima, vivendo de forma claustrofóbica, sem ligar muito para si mesmos ou para sua imagem, chegando a dispensar cuidados com a higiene. Afinal, tudo passa a não ter muita importância. 
   O serviço de saúde pública do Japão chegou a criar a figura das assistentes sociais que ajudam no tratamento do Hikikomori, uma espécie de confraria de “super irmãs”, formada por pessoas do sexo feminino que telefonam e escrevem cartas aos isolados, convidando-os para ir ao cinema, shoppings, festas, enfim, os estimulam a ter vida social. 
   Claro que o extremo isolamento não tem nada a ver com o fato da necessidade de algumas pessoas ficarem sozinhas para se dedicar a coisas de seu interesse. Em outra direção, existem pesquisas que afirmam que sem isolamento circunstancial, as pessoas não criam. Escritores, cientistas, intelectuais e artistas em geral, às vezes precisam de reclusão para desenvolver um trabalho, que não combina com um mundo ruidoso no qual a atenção é dispersada constantemente. É necessário um bom senso para perceber as diferenças e não sair tachando um comportamento singular como isolamento doentio. Mas em sociedades cada vez mais adaptadas a tecnologias, na qual sonda-se a possibilidade até da imortalidade com o implante de chips que clonam consciências, transportando-as para outros corpos – como na série “Altered Carbon”, literalmente “caderno alterado” – nada mais parece impossível, e nasce um estranho mundo novo que vai muito além das especulações de Aldous Huxley. Mas essa é outra história que vou contar outro dia. (FONTE: Crônica escrita por CÉLIA MUSILLI, celia.musilli@gmail.com, jornalista em Londrina e escritora, caderno FOLHA 2, coluna CÉLIA MUSILLI, 17 e 18 de fevereiro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA). 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O PODER DO JORNALISMO CONTRA AS FAKE NEWS


   As gafes se acumulam e já são cometidas por diversas personalidades, que compartilham em suas redes sociais as famosas fake news – notícias fantasiosas que enganam por seu caráter de veracidade e construção realizada conforme padrões jornalísticos – impactando milhares de pessoas. Algumas dessas notícias destoam por seu aspecto absurdo, listando fatos quase impossíveis de serem reais. Outras fantasiam sobre o cenário atual para causar reações, seja estranhamento e potencial revolta sobre o fato, ou ainda comoção, tristeza e empatia. Em qualquer uma dessas formas, elas são uma versão reformulada da verdade, uma contraversão sobre o papel do jornalismo que busca, acima de tudo, representar o real. 
   As mídias sociais viralizam o conteúdo. Sem fazer uma segunda checagem, os usuários apertam sem cerimônia o botão “compartilhar”, fazendo com que informações inverídicas tenham o poder de percorrer Estados, países e continentes. Num ambiente no qual o debate sobre o que é importante poderia ser ampliado, ele passa a ser distorcido. Uma versão moderna do uso da mídia para vigiar o meio, se utilizarmos como base as antigas teorias da comunicação. 
   Isso porque se, no início da utilização da internet as fake news que mais chamavam atenção eram as dezenas de lamentações sobre a morte de artistas que se encontravam vivos, hoje, elas têm impactado discussões muito mais importantes, como aconteceu com as eleições dos Estados Unidos e o Brexit (processo de saída do Reino Unido da União Européia). 
   Em ano de eleições no Brasil, onde o cenário comove o público por seu ineditismo, espera-se que as fake news sejam recursos utilizados como massa de manobra para conquistar votos e propagar opiniões com bases infundadas. A previsão é que sites “duvidosos” publiquem informações, que depois serão distribuídas pelo Facebook, Twitter e WhatsApp, como estratégia de manipulação para servir certos interesses políticos e econômicos. O Senado já se atentou a isso e propôs um projeto de lei que pretende punir com até três anos de detenção aqueles que fizerem a divulgação das fake news. Pode ser um começo, mas em um país onde a impunidade e a injustiça parecem fazer parte de seu DNA, não se sabe até qual ponto o perigo de reclusão será uma barreira para esses atos. Entretanto, o que poucos lembram é que a prática tem um oponente tão semelhante em aspecto, mas tão diferente em sua dinâmica: o jornalismo de verdade. 
   Hoje, também disponíveis em sua maioria pela internet, os jornais e os portais noticiosos são os grandes combatentes, das fake news. Isso se inicia pela própria característica do negócio, que é relatar o que acontece no mundo, de forma ética e imparcial. Se antes a quantidade de fatos e temas era restrito pelo espaço (quando o jornalista vivia mercê do tamanho de laudas para contar as histórias), agora é possível escrever sobre praticamente tudo no ambiente digital. Essa dinâmica pode ter alterado muito a forma de noticiar, mas não afetou de maneira alguma a essência da comunicação, que é trazer um apanhado do que acontece de verdade no mundo. 
   Teorias da comunicação, formas objetivas de comunicar, importância da ética e de mostrar múltiplas visões sobre o mesmo tema: durante o ensino superior, o jornalista é munido com informações para uma prática que entenda como seu papel é importante para a sociedade como um todo. Além disso, ele recebe instruções para entender como o trabalho mal realizado pode ter consequências catastróficas. Matérias sensacionalistas, mal apuradas e tendenciosas são apenas alguns desses exemplos. Nesse cenário, os meios de comunicação profissionais despontam como o relógio para visualizar se o que está circulando nas mídias sociais é verdadeiro. Pautados em princípios como a checagem das informações, eles voltaram a ser reconhecidos como fontes críveis para entender a realidade. Conforme pesquisa realizada pelas universidades de Darthmouth, Princeton e Exeter, apesar de um em cada quatro norte-americanos terem tido contando com alguma fake news durante as últimas eleições presidenciais, os eleitores também continuavam se informando com frequência pelos veículos de imprensa. Ou seja, o jornalismo sério passa a reforçar seu papel e sua importância na sociedade como fonte segura para ficar a par do que acontece pelo mundo. 
   A guerra contra as fake news ainda está no começo, principalmente quando o termo é utilizado por muita gente quando algo que afronta suas convicções é publicado – mesmo que seja verdade. Google e Facebook já estão nessa batalha, trabalhando com códigos que penalizam esse tipo de conteúdo. Entretanto, o jornalismo será uma arma imprescindível nesse processo, atuando com responsabilidade para que atinja seus grandes objetivos: informar e levar seu público a raciona sobre os eventos, criando suas próprias percepções sobre a realidade. Tendo como base um único ingrediente: a verdade. (FONTE: Texto escrito por LUCIANA SÁLVARO, jornalista e assessora de imprensa na Central Press, página 2, coluna ESPAÇO ABERTO, quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA. * Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br).

SAÚDE ALERTA SOBRE CONTATO COM MORCEGOS


   Em 2018, secretaria de Maringá encaminhou 31 morcegos para exame para confirmar diagnóstico de raiva 

   Maringá – A Secretaria de Saúde de Maringá (Noroeste) orienta a população sobre o perigo do contato com morcegos. Em 2018, segundo informações da prefeitura, foram encaminhados 31 morcegos para o Laboratório Central do Paraná, em Curitiba, para fazer exame para confirmar o diagnóstico de raiva (doença infecciosa viral que pode ser fatal). Destes, apenas um animal teve diagnóstico positivo do vírus. Em 2017 foram recolhidos 237 morcegos e dois estavam contaminados. 
   O diretor de Vigilância em Saúde, Eduardo Alcântara, explica que a doença é controlada no Paraná e que é preciso apenas cuidado por parte da população. “O ideal é manter os animais, cães e gatos, vacinados contra a raiva”, diz, ressaltando que, ao ver morcegos em casa, a pessoa deve comunicar a ouvidoria (156) para o recolhimento, evitando tocar o mamífero com as mãos. 
   A vacinação nos animais domésticos previne a transmissão da doença, além de ser obrigatória quando o animal precisa viajar de um Estado para o outro. O vírus circula de morcego para morcego e pode ser transmitido no contanto com humanos ou animais domésticos. “As pessoas não devem tocar nos morcegos e também evitar que cães e gatos tenham contato”, comenta Alcântara. 
   Se ainda assim houve  r o contato, o morcego será recolhido para constatar a presença do vírus da raiva. O animal doméstico será observado e receberá uma dose da vacina para reforçar a prevenção. Caso o cão ou gato não seja vacinado, tomará três doses. Enquanto são observados, os donos que suspeitarem ter sido contaminados com o vírus, devem ir à Sala de Vacinas da Secretaria de Saúde para iniciar o esquema de vacinação. 

   ESPÉCIES 

   Existem três tipos de morcegos: insetívoros (que se alimentam de insetos), sendo esses os mais comuns em Maringá. Em 2017, foram encontrados 150 da espécie, dos 237 morcegos recolhidos. Os frugívoros (alimentam-se de frutas), pouco encontrados, e hematófagos (alimentam-se de sangue), não encontrados em Maringá. 
   Os morcegos são essenciais para o meio ambiente e protegidos pela legislação ambiental. “O fato de alguns apresentarem diagnóstico positivo de raiva não nos dá o direitos de exterminá-los. Eles são importantes para controle de alguns insetos, são semeadores, entre outras responsabilidades, que devem ser respeitadas”, define Alcântara. 
   Depois do primeiro morcego encontrado este ano, na Vila Operária, em 1º de fevereiro, os agentes de saúde ambiental e equipes do Centro de Controle de Zoonoses realizaram força-tarefa na última semana nas casas do bairro. Foram feitas orientações aos municípios sobre qual procedimento indicado pela saúde. 
SERVIÇO
   Mais informações na Secretaria da Saúde pelo fone (44) 3216-3145. (FONTE: REPORTAGEM LOCAL, página 3, caderno FOLHA SAÚDE, terça-feira, 13 de fevereiro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

QUE LIVRO VOCÊ ESTÁ LENDO HOJE?


   Há alguns anos, zapeando na tevê, parei num canal qualquer desses fechado, que exibia uma entrevista com o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O repórter perguntou: que livro o senhor está lendo hoje? Obama citou três títulos com a sinopse de cada um num ritmo rápido, televisivo, o programa estava quase no fim. Quando os créditos subiram desliguei o aparelho, no entanto, o questionamento e a resposta do entrevistado me puseram contra a parede. 
   Sempre fui uma leitora ativa, por vários motivos, - mas, essencialmente, pelo prazer que sinto na companhia de um livro bom. Isso não me livra dos momentos de abstenção, que acontecem com quase todos os que leem, pois as demandas da vida são tantas que nos perdemos de muitas coisas, inclusive das que nos agradam sobremaneira. Quando vi a entrevista estava imersa num desses hiatos. Sem um livro engatado para chamar de meu e, pior, sem expectativa para tal. O que é devastador tanto pelo ofício da palavra quanto pelo cotidiano simples. 
   Estou lendo nada. Esta era a resposta para dar se estivesse no lugar de Obama. Ou, num cargo de tamanho destaque como o dele, o provável é que eu mentisse recorrendo a um clássico, reforçando se tratar de uma releitura, por exemplo. Estou relendo Cervantes, seria uma boa réplica, a fuga conveniente. Parece que citando os autores pelo nome aparentamos proximidade com a obra prima e um suposto entendimento. 
   Sem pretensão política alguma, é claro, eu me encontrava mesmo era na berlinda da consciência. A primeira coisa que passou pela cabeça foi: será possível que sou mais atarefada que o líder da nação mais poderosa do planeta? Resposta rápida: não. Minha mente ainda girou um pouco procurando justificativas do tipo: trabalho, filhos pequenos, afazeres domésticos, trânsito, curso de pós-graduação, atividade física etc. Tudo uma tentativa de escapar fedendo, autossabotagem como se diz. Em linhas gerais, quem não lê livros com frequência não o faz por falta de um desses itens: oportunidade ou interesse. Quase nunca é tempo que falta. 
   Livros podem ser mercadorias caras ou sair de graça para quem tem acesso a uma biblioteca pública. Em Londrina, a sede da Biblioteca Municipal fica no centro da cidade, em cinco minutos é possível fazer o cadastro e estar apto a sair com até três títulos por vez. A poucos passos dela está a Biblioteca Infantil, um ambiente lúdico e acolhedor para crianças e adolescentes. Por lá, ótimas maneiras de se começar um leitor: Monteiro Lobato, Ziraldo, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, entre outros. Há sucursais em outras regiões do município. O empréstimo pessoal, entre amigos, também é uma modalidade pulsante. 
   Há ainda no comércio local a opção dos sebos, com alguns preços de capas quase simbólicos. Esta semana estive num deles com meu esposo e filhos. Na fila do caixa, a nossa frente, uma senhora de cabelos alvos, trocava um vale-compras por uma quantidade exemplar de romances antigos, desses que a revelia de nós mesmos jamais envelhecem. Avisada pela funcionária que ainda lhe restava R$3,50 de crédito, a mulher abandonou a fila por alguns instantes para buscar mais um título e saiu satisfeita. 
   Alguém, olhando os cabelos brancos da senhora, poderia pensar: ah, ela é aposentada, tem tempo de sobra. Será que ela lê porque sobra tempo? Não sei, não interroguei-a. Bem, tenho uma hipótese: é plausível que leia porque pertence ao mesmo grupo que eu e leitores de jornais diários como este: o grupo dos que têm oportunidade – e pode ser que ela tenha lutado muito por isso. Mas, que dentro deste grupo, há o sub-grupo dos que aproveitam a oportunidade (aqui me reinseri desde o choque da entrevista) e os que deixam a oportunidade passar. (FONTE: ISOLDA HERCULANO, escritora e jornalista em Londrina, página 2, coluna ESPAÇO ABERTO, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA). * Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opinio@folhadelondrina.com.br).

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Comentários

Wanda Cobo

"Maravilha meu amigo, continue nos deliciando com suas ideias." W.D Londrina-Pr


Adilson Silva

Olá Professor José Roberto, Parabéns pelas excelentes matérias , muito bom conhecimento para todos. muita paz e fraternidade. Londrina-Pr

Marcos Vitor Piter

Excelentes e Sabias palavras parabéns Professor um Abraço dos Amigos de Arapongas - PR.

João Costa

Meus parabéns por vc e por tudo que pude ler continue levando este conhecimento p/ todos. Forte abraço! João Batista.
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Meu amigo continue contribuindo com a sua sabedoria. Forte abraço... João Batista 31/10/2013
Daiane C M Santos
Parabéns, muito criativo e inteligente!
Zeze Baladelli
Oi meu amigo,entrei seu blog,parabéns querido,voce é um gentleman,um grande amigo e muito inteligente,desejo que Deus te abençoe mais e mais...super beijo...



MARINA SIMÕES

Caro amigo Roberto, muito obrigada por suas sábias e verdadeiras palavras. Como é bom encontrarmos no nosso dia adia pessoas que comungam nossas idéias, nossas críticas, ou mesmo comentário sobre determinados assuntos. Eu procuro escrever e mostrar mensagens de
fé, de esperança, ou mesmo um alento carinhoso para nós que vivemos um mundo tão cruel, egoísta e caótico. Estou tentando escrever um comentário sobre seus textos. Parabéns, eu os tenho como que a "arquitetura" com as palavras. É um estilo totalmente seu, e meu amigo é simplesmente estimulante. Ele nos faz pensar e isto é muito bom. Um grande abraço. Marina.



JOÃO RENATO
Aqui estou eu novamente é impossivel não entrar aqui para vê estas maravilha por vc postada. Forte abraço do seu amigo hoje e sempre...........

ADALGISA
Parabéns! meu amigo querido!!!Adorei seu blog, mensagens lindas e suaves como a tua persoalidade e seu jeito de ser!!!Abraços e beijos.
TIAGO ROBERTO FIGUEIREDO
Parabéns professor José Roberto seu blog está divino..abs !
JAIRO FERNANDES
Olá, Querido Professor José Roberto! Fiquei muito emocionado com suas mensagens postadas, gostaria muito de revê-lo novamente após muitos anos, você fora meu professor e tenho muita saudade, gostaria que enviasse-me o seu endereço.ʺ Deus te ilumine sempreʺ Pois fazes parte de minha história de vida.
ALICE MARIA
Oi tio.Muito lindo seu cantinho na internet. Tô de olho. Lembro também de algumas coisas lá da Serra, principalmente da venda do vô Rubens. Beijo ,Alice Maria.

WANDA COBO

WANDA COBO

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