Médico de Londrina integra
equipe de voluntários que foi a Moçambique montar unidades de tratamento em um
orfanato
“Enquanto você doa seu
coração. Não vai adoecer!” É com esse pensamento que o médico Tsutomu Higashi
continua, aos 73 anos, buscando formas de ajudar o próximo. No início de Outubro ele participou de uma viagem a
Moçambique, na África, para montar uma unidade de tratamento com ozônio, em um
orfanato. Na erquipe de voluntários estavam médicos, enfermeiros, psicólogos e
engenheiro.
Ele conta que a ideia surgiu depois de
conhecer um missionário deste orfanato, que abriga cerca de 300 pessoas em um
distrito da cidade de Maputo, capital do país. “Conversando com ele achei interessante ter o ozônio na
casa. É algo bastante simples de ser operado e serve para limpar feridas e
aumentar a imunidade. Ficamos uma semana montando essa unidade. Eu queria levar
algo em lugar sem recursos para poder ajudar as pessoas. Convidei um colega
meu, que tem grande coração. Penso que a gente aprendeu tanto na vida, por que
não fazer um trabalho comunitário?”, questiona.
Higashi conta que ficou impressionado
com a realidade do local, pois embora Maputo seja bem desenvolvida, o entorno
se mostrou carente. De acordo com ele, no distrito não há médicos e as pessoas
são atendidas por médicos voluntários que passam pelo local de tempos em tempos.
Por isso, montar o laboratório e treinar
pessoas com noções de enfermagem para usar o equipamento foi algo bastante
importante.
Com pouco mais de um mês de serviço
implantado, o médico conta ter recebido mensagens positivas e relatando casos
de pessoas que já se beneficiaram com o tratamento. A ideia agora é ajudar outras comunidades. “Sozinho nesse mundo não se faz nada, é difícil. Mas o
trabalho de equipe é interessante, ajuda muito. Surgiram outras ideias de fazer
outros trabalhos semelhantes. Estamos estudando em que local poderá ser mais
útil, porque a África é imensa. Há lugares super desenvolvidos e lugares que
necessitam levar o conhecimento” afirma.
Como médico, Higashi acredita que
manter-se ativo – seja fazendo um trabalho voluntário, trabalhando ou estudando
é a receita para não adoecer. Ele segue o próprio conselho e não para.
Homeopatia, cranioacupuntura, ozônio, medicina ortomolecular, fitoterapia
chinesa, antropologia, culturas antigas e inglês são alguns dos conhecimentos
adquiridos ao longo dos anos.
Natural de Bastos, no interior de São
Paulo, Higashi formou-se pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba,
Depois de estudar patologia clinica e fazer residência em São Paulo, veio para
Londrina para dar aulas de bioquímica na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Durante a ditadura militar no Brasil ele e outros profissionais foram demitidos
e le fundou sua clínica particular.
“Nunca tive ligação com partido
comunista, mas entrei nesse grupo ( de demitidos). Na época foi difícil porque
uma pessoa perseguida pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) não
conseguia dar aulas em outros lugares. A minha opção foi partir para a área
privada. Eu tinha um laboratório, mas não podia credenciar porque não era uma
pessoa bem-quista e decidi abrir a clínica”, conta. Hoje são duas unidades –
uma em Londrina e outra no Rio de
Janeiro, que o médico administra com os dois filhos – Leonardo Higashi e Rafael
Higashi – também médicos e a esposa, Cássia.
O médico critica o preconceito em
relação às especializações médicas e práticas de tratamento diferentes das
tradicionais. “Todo conhecimento tem que
ser respeitado, visto com olhos sem preconceito. O que mais acaba (com outras
coisas) nesse mundo é preconceito – “meter o pau” em uma coisa que não sabe.
Não conhece homemopatia, não conhece ortomolecular mas critica. Dá a impressão
que eu sei tudo, mas não é bem assim. Eu não sei nada. Não tenho o copo cheio
de sabedoria, tem eu esvaziar o copo. Estamos aqui para aprender”, ensina. (
ÉRIKA GONÇALVES – REPORTAGEM LOCAL, FOLHA GENTE, página
1, domingo, 22 de novembro de 2015, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).
Nenhum comentário:
Postar um comentário