Além de pais jovens, filhos influenciam na compra e lojas se reestruturam para atendê-los
Consultor do Sebrae diz que ainda há espaço para investimentos, mas é preciso escolher um nicho específico
A moda infantil tem conseguido driblar a crise. A produção do setor, composto essencialmente por pequenas empresas, cresceu 6% em 2016, segundo dados da Abravest (Associação Brasileira do Vestuário). No mesmo período, confecções para adultos tiveram queda de 9,8%.
Se antes a compra da roupa era decisão apenas dos pais, atualmente ela tem participação direta dos filhos.
“Mesmo crianças de 3 anos têm informação de moda, seja pela TV, tablete e o que elas veem no amigo, e influenciam na compra”, diz Laura Nóbrega, coordenadora do curso de Moda da FMU/Fiam Faam.
Diante da mudança de comportamento, a marca Green by Missako, há 30 anos no mercado, viu que era preciso se reposicionar para atender pais jovens e filhos que sabem muito bem o que querem. Mudou tecidos, modelagens e até arquitetura das lojas., além de investir no e-commerce e na comunicação por redes sociais.
O movimento deu certo. No ano passado a empresa cresceu 18%. Para 2017, a expectativa é aumentar o faturamento em 35% e abrir seis novas lojas. Atualmente, são 30, entre unidades próprias e franqueadas, além de uma fábrica localizada na zona leste de São Paulo.
“Antigamente, roupa infantil não era perecível. Se não vendia em um ano, vendia no outro. Não trabalhamos assim, é preciso acompanhar a evolução da moda”, ensina a empresária Márcia Missako Oura, pediatra que trocou a medicina pelo universo da moda.
Outra empresa que segue espichando tão rápido quanto seus clientes é a Mini US, com duas lojas em São Paulo. Fundada há três anos por Thyco Sayon e Lu Arcangeli, a marca cresceu 11% em 2016.
No dia 28 de maio, chega às vitrines a coleção de 11 peças assinadas por Lucas Jagger, 18, filho do “rolling stone” Mick Jagger e da apresentadora Luciana Gimenez. Eventos com grafiteiros, skatistas e bandas também ajudam a marca a se posicionar. .
Atualmente, as lojas atendem crianças de 2 a 14 anos, mas a partir de fevereiro de 2018, a Mini US se focará na faixa de 2 a 10 anos, enquanto uma nova marca – com nome ainda não divulgado – atenderá o público teen.
“Não havia marcas criadas especificamente para crianças, a maioria era derivada das grifes para adultos. E, mesmo as que não tinham linha kids, hoje começam a dar mais atenção”, observa Sayon, com experiência no mercado feminino e masculino, como criador das marcas Bobstore e LosDos.
A linha infantil da carioca Reserva nasceu sem um planejamento, em 2011. Em uma edição especial do Dia dos Pais, o pedido foi muito maior que a capacidade de venda sazonal. A empresa então, resolveu investir mais.
Em 2014, a Reserva Mini passou a ser uma unidade de negócio à parte, com lojas próprias. Em 2016, a área infantil faturou R$ 40 milhões – 15% do total do grupo.
Para o consultor do Sebrae –SP Bruno Zamith de Souza, ainda há espaço para investir no setor de moda infantil. No entanto, é importante escolher um nicho específico.
Souza cita como exemplos empresas focadas apenas na produção de calças e outras que se especializam em uma faixa etária restrita. “Isso é essencial para fazer coleções certeiras, sem desperdício”.
Superdotado
Mercado voltado para bebês é que mais se desenvolve
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6% - foi o crescimento do setor de vestuário infantil em 2016 na comparação com o ano anterior.
25 cm - é quanto uma criança cresce, em média, em seu primeiro ano de vida.
0 a 3 - é a faixa etária que apresenta melhores resultados no setor de moda infantil, de acordo com a Abravest (Associação Brasileira de Vestuário).
9,8 % - foi a queda das vendas no setor de vestuário adulto em 2016. (JUSSARA SOARES – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, caderno mpme, guia espcial da micro, pequena e média empresa folha 6, domingo, 21 de maio de 2017, publicação do jornal FOLHA DE S. PAULO).
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