sábado, 3 de setembro de 2016

O QUE É PSICOTERAPIA?


   Há algum tempo ouvi um importante e famoso psicoterapeuta brasileiro afirmar que não havia mais demanda por análise longa e que os pacientes queriam coisas rápidas e que não exigiam tempo e trabalho. Isso não poderia ser mais diferente da realidade. Infelizmente, muitos terapeutas nada entendem deste trabalho e causam prejudiciais estragos. O que me parece, sobre a afirmação acima, é que esse profissional não tem condições de entender do que se trata a relação psicoterapêutica. 
Obviamente que existem pessoas que não querem trabalhar seriamente consigo próprias. Isso sempre existiu e sempre existirá. Entretanto, há também um bom número de pessoas que querem muito trabalhar e desenvolver a si mesmas. Agora, não se pode esperar que um paciente saiba conscientemente ou explicitamente a sua demanda por este tipo de trabalho. Ninguém chega nos consultórios dizendo: “Olha, preciso de um trabalho analítico e não vejo a hora de me aprofundar”. As pessoas chegam sofrendo e querendo se livrar de seus sintomas o mais rápido possível. E é aqui que entra o verdadeiro trabalho psicoterapêutico que não se importa apenas em ajudar o paciente com seus sintomas, mas a levá-lo a refletir o que ele faz consigo e com a própria vida. 
   De nada adiante querer se livrar do que se sente. Isso não é real e não tem como acontecer. É preciso suportar, tolerar o que se sente para que algo que está interno possa ser compreendido e se transformar. Não basta então se livrar de um sintoma, mas compreender como alguém está vivendo e se relacionando consigo e com o mundo, para que esta dada pessoa pare de se repetir e passe a encontrar maneiras mais eficientes e prazerosas de viver. Enfim, é um processo de transformação. Quando os pacientes conseguem ver isso, ou seja, veem os benefícios que se autoconhecer lhe proporcionam o que eles mais querem é um trabalho verdadeiro.
   O problema está se o psicoterapeuta consegue tolerar a relação com seu paciente. Estar com um paciente que sofre e que muitas vezes se encontra num estado de intenso desespero não é fácil. Um psicoterapeuta que não tenha tido sua própria analise pessoal não tem a menor condição para realizar esse tipo de trabalho porque não saberá se preservar da dor e das confusões que serão despertadas quando estiver com seu paciente. A tendência humana mais básica é fugir da dor e como o psicoterapeuta também é humano vai se assustar diante da dor, de si mesmo e do outro, se não tiver uma mente desenvolvida e que suporte lidar com as ansiedades para poder transformá-las. 
   Já cansei de ouvir relatos que contam de terapeutas que atendem telefonemas ou mandam mensagens pessoais durante as sessões com seus pacientes, rezam com os pacientes, dizem que os problemas dos pacientes não são sérios ou graves, comparam seus pacientes com outros e por aí vai. São profissionais, se é que poderiam ser chamados assim, que não suportam a relação terapêutica e enlouquecem. Um psicoterapeuta que não tem condições psíquicas de cuidar de si mesmo vão certamente fugir da relação com seus pacientes não reconhecendo a demanda do trabalho duro que se faz presente. Não vai querer, realmente, um trabalho que dure o necessário para ajudar seu paciente. Um psicoterapeuta que não se cuida pira da pior maneira possível. (SYLVIO DO AMARAL SCHREINER, psicoterapeuta em Londrina, página 2, coluna ESPAÇO ABERTO, 3 e 4 de setembro de 2016, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

FORNO DE SÍTIO


   Lembro daqueles fornos de pão que havia antigamente nos sítios. Depois de fazer os pães, colocavam-se umas folhas de bananeiras embaixo da massa para não queimar. Depois de assados, saía aquele cheiro gostoso que ia longe. 
   Quando eu ia para o sítio dos meus tios, em Cambé, a hora mais esperada da visita era a hora do café. É claro que não vinha só “o melhor café do mundo produzido por essas terras roxas” naquelas xícaras grandes com pires e tudo, mas vinha também o pão caseiro com uma geleia ou doce de cidra, doce de laranja, figo, queijo feito pela minha tia e mais uma infinidade de alimentos que não lembro mais e que a hospitalidade daqueles parentes nos oferecia de bom. Saudade daquele tempo. 
   Eu sempre gostei de pão. Tenho fotos de quando era pequeno em que estou comendo pão, com a barriga fora da camisa. Meu pai teve padaria por anos, mas nunca aprendi a fazer o alimento, ficava mais no balcão.
   Já meu pai sabia fazer pão. Sentia nas mãos a farinha e sabia se era boa ou não para determinado tipo de pão. Conhecia os segredos de uma massa, como dosar o fermento e saber a temperatura do ambiente e do próprio forno para assá-lo corretamente. Amava o que fazia. Mesmo depois que ficou quase cego pelo glaucoma ainda tinha a habilidade de um bom padeiro, embora tivesse mais limitações. Meu irmão mais velho, também padeiro, diz que quando for para o céu com certeza vai encontrar o meu pai fazendo pão lá.
   Forno de sítio e forno de padaria podem ser diferentes, mas as mãos que fazem os pães têm que estar prontas para o serviço, senão a massa não cresce e o pão fica solado. É como aquela história de o pessoal dizer que depende da pessoa para fazer rapadura ou sabão. Antigamente, havia muita superstição a respeito de dar o ponto nessas coisas. Se não souber fazer, é claro que não dá o ponto e sai tudo errado. 
   Lembro também que uma de minhas tias tinha um fermento de litro que se renovava havia muitos anos. Usava-se um tanto e deixava-se um pouco do anterior para fermentar e renovar o produto. É como o pão mandi e o pão sovado que no preparo se usa sempre um pouco de massa mais velha para fermentar a nova massa. Quando o pão é cortado e vai para o forno ele simplesmente desabrocha como flor na hora de se dar o vapor. É um verdadeiro espetáculo. 
   Lembro de ter ido com meu pai a uma padaria na Avenida Duque de Caxias, na década de 1960, que tinha um forno com dois andares. A parte inferior tinha uma pequena escada para o forneiro trabalhar com uma pá comprida de madeira, de aproximadamente dois metros de comprimento e um palmo de largura, sendo afinada nas laterais para poder pegar os pães com mais facilidade. Era uma arte levar uma fileira com mais de 30 pães ao forno sem deixar nenhum cair ou deixar a fileira torta. 
   Hoje, quando entro numa padaria, sinto muito respeito por quem faz e vende o pão. Sei o trabalho que dá. Vejo também o sacrifício de cada grão de trigo que se faz farinha para saciar a fome das pessoas. O trabalho de quem planta, colhe e se sacrifica no trabalho de uma lavoura difícil. Assim como o trabalho de moagem, enfim, para se chegar ao produto final. 
   Dia desses, quando me perguntaram se tenho saudade do tempo de padaria, respondo que foi muito bom trabalhar no ramo, mas hoje, eu gosto de entrar em padaria só para comprar. E sair com um punhado de pães quentinhos num saco de papel escrito “volte sempre”. É claro que sempre voltarei. (DAILTON MARTINS, leitor da FOLHA, página 2, coluna DEDO DE PROSA, caderno Folha Rural, 3 e 4 de setembro de 2016, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

FOLHA INOVA COM GRANDE EDIÇÃO DE FIM DE SEMANA


   A transformação no consumo da informação levou os jornais a mudarem também a maneira como “entregam” a notícia. Atualmente, os acessos aos jornais acontecem de muitas maneiras – impresso, site, tablete e celular – e um exemplo dessas intensas inovações na comunicação chega hoje ao leitor da Folha de Londrina. A #FOLHAFDS é uma superedição de fim de semana que unifica as edições de sábado e domingo e traz ao leitor textos mais trabalhados, reportagens exclusivas em páginas com layout diferente. As grandes edições de fim de semana são mais que uma tendência no jornalismo nacional e internacional. É uma mudança importante no processo de produção do jornal e no relacionamento entre o veículo e o seu leitor do jornal impresso e também das plataformas digitais. A convergência de mídias significa que a experiência de ler jornais ficou mais eficiente e interessante. Enquanto o jornal impresso ganha um conteúdo aprofundado, com reportagens para serem lidas no sábado, domingo e nos dias seguintes, as notícias factuais são reforçadas no ambiente on-line. Ainda ganham espaço os vídeos, que passam a fazer parte da narrativa do jornal e que nesta edição da FOLHA podem ser assistidas não só no site, mas também em “Realidade aumentada”, tecnologia que o jornal passa a disponibilizar para o leitor. Ela permite uma experiência transmídia que mistura o mundo real e o mundo virtual e cria uma sinergia perfeita entre informação e tecnologia. É muito simples e as explicações para acessar a novidade podem ser vista nesta edição do jornal. A prioridade da FOLHA continua sendo a informação de credibilidade e qualidade, mas é constante a preocupação da empresa em buscar novas formas de se comunicar com seus eleitores. Aos 67 anos, a FOLHA, que é referência em informação em Londrina e em todo o Paraná, continua se reinventando e mantendo o desafio de inovar na forma e no conteúdo. (FOLHA OPINIÃO, página 2, 3 e 4  de setembro de 2016. Publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

´´E OK NÃO SABER

   Nem sempre sabemos s respostas para nossa inquietação. E tudo bem, porque muitas vezes não estamos prontos para ouvi-las
   MESMO QUE a gente não se conheça pessoalmente, ou eu não saiba o que está acontecendo com você neste exato momento, tenho certeza de que existem algumas coisas, hoje, as quais você gostaria de saber sobre a vida. E sobre a sua vida.
   Talvez você esteja em um trabalho que não lhe realize, mas ainda não tem ideia sobre o que gostaria de fazer no lugar disso. Ou talvez esteja em um relacionamento que não está indo bem, mas não sabe se o melhor agora é terminar tudo ou dar mais uma chance. 
   Ás vezes, não sabemos o que queremos, o que vai acontecer depois, ou como a nossa vida vai ser daqui a algum tempo. E está tudo bem. Se a sua resposta a qualquer pergunta, atualmente, é “eu não sei”, então diga isso. Em voz alta. Claramente. E fique em paz com essa resposta. É ela que você tem hoje. Fique tranquilo com o “eu não sei”. 
   A autora americana Louise Hay diz que “tudo que eu preciso saber será revelado a mim na sequência perfeita de tempo-espaço”. Isso, basicamente, quer dizer se você ainda não sabe o que gostaria de saber é porque ainda há é hora. Pode ser que você não sabia porque o que está vindo pela frente é muito diferente de qualquer coisa experimentada antes. É uma surpresa. 
   Pode ser que você não saiba porque seria muito difícil e confuso esse entendimento agora. Isso o tiraria do momento presente, o deixaria preocupado, ansioso sobre como controlar tudo ou como fazer dar certo. Ás vezes, a sua alma já sabe, mas ainda não é a hora certa para a mente consciente saber. Se você soubesse, talvez não fosse passar pelas experiências que precisa para descobrir a resposta pela qual está buscando. E, às vezes, o processo de aprender a confiar, de vivenciar algo e acreditar que você vai descobrir a sua verdade no final, é mais importante do que, de fato, saber. 
    Mas, atenção! Quando chegar o momento certo, pode ser que você não esteja prestando atenção suficiente. Ou que seu foco esteja em outras coisas menos importantes. Às vezes, nós não temos clareza porque colocamos muitas distrações em nossa vida. E depois ficamos fazendo “mimimi” porque não temos clareza. O que só atrapalha ainda mais o universo de que se comunicar com a gente, porque não é possível estabelecer um diálogo de qualquer natureza quando estamos fazendo “mimimi”.
   Comece seus dias se perguntando: “O que eu gostaria de aprender hoje?”. Depois de decidir, se questione, e seja muito honesto na resposta. “Que tipo de distração estou colocando na minha vida e que pode estar me atrapalhando a atingir a clareza que eu gostaria?”. E-mails demais, tempo excessivo no WhatsApp, Facebook, Instagram, Snap-chat, ou outras mídias sociais, seriados, novelas, milhões de sites de curiosidades e coisas “emocionantes” abertas no navegador. Álcool e comida demais, o que mais está distraindo você? De novo: o que gostaria de aprender nos próximos dias? Elimine as distrações e se permita aprender o que, lhe garanto, o universo está louco para lhe ensinar. (PAULO ABREU, coach e autora do livro Escolha Sua Vida (Sextante).Seu site é escolhasuavida.com.br página 53, Suas Escolhas, revista VIDA SIMPLES, Agosto 2016, Impressa na Gráfica Abril- SÃO PAULO-SP).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A HORA DAS REFORMAS


   Nove meses depois da Câmara dos Deputados   ter iniciado o processo de impeachment, Dilma Rousseff foi afastada definitivamente, ontem, do cargo de presidente da República. O último dia do julgamento no Senado não teve os intensos debates que marcaram as outras cinco sessões. Não foi surpresa a decisão dos senadores e nem o placar: 61 votos a favor do impeachment e 20 votos contrários. A polêmica ficou por conta da segunda votação que determinou que a ex-presidente poderá exercer cargos públicos. A questão agora é se a petista poderá ou não disputar eleições, o que deve se tornar alvo de discussão judicial. Casa ela decida se candidatar. Mas essa é outra discussão. O fato é que o impeachment de Dilma significa uma mudança de governo, assim como marca o fim da era PT após 13 anos no poder. Na última década, o brasileiro viu a economia do País ganhar impulso e milhões de pessoas chegaram à classe média. Mas também assistiu o retrocesso. A frágil lembrança de Dilma e a pouca flexibilidade política da ex-presidente falaram tão alto quanto a crise econômica. O maior país da América latina agora quer romper também com a inflação, o desemprego e a estagnação. Mas é preciso ter consciência de que a retomada do crescimento vai depender da rapidez com que o presidente Michel Temer conquistar a confiança da população e dos investidores e da rapidez de sua articulação política. A aprovação das reformas políticas e econômicas serão os primeiros grandes e importantes momentos do peemedebista. Aprovar a proposta de emenda constitucional que determina um teto para os gastos públicos é a primeira medida. Para arrumar as contas públicas e promover a reforma da Previdência Social, será preciso jogo de cintura por parte do peemedebista e de seus líderes. As mudanças nas aposentadorias são necessárias porque elas consomem grande parte das receitas do governo. Todos sabem que o debate sobre a Previdência não será simples e as discussões tomarão muito tempo e energia. Por isso, é melhor que a matéria chegue logo ao Congresso. O empurrão que o Brasil precisa virá com a aprovação dessas reformas e com a enorme capacidade do povo brasileiro em acreditar que é possível mudar o País com trabalho e honestidade. (FOLHA OPINIÃO opiniao@folhadelondrina.com.br página 2, quinta-feira, 1 de setembro de 2016, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

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Comentários

Wanda Cobo

"Maravilha meu amigo, continue nos deliciando com suas ideias." W.D Londrina-Pr


Adilson Silva

Olá Professor José Roberto, Parabéns pelas excelentes matérias , muito bom conhecimento para todos. muita paz e fraternidade. Londrina-Pr

Marcos Vitor Piter

Excelentes e Sabias palavras parabéns Professor um Abraço dos Amigos de Arapongas - PR.

João Costa

Meus parabéns por vc e por tudo que pude ler continue levando este conhecimento p/ todos. Forte abraço! João Batista.
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Meu amigo continue contribuindo com a sua sabedoria. Forte abraço... João Batista 31/10/2013
Daiane C M Santos
Parabéns, muito criativo e inteligente!
Zeze Baladelli
Oi meu amigo,entrei seu blog,parabéns querido,voce é um gentleman,um grande amigo e muito inteligente,desejo que Deus te abençoe mais e mais...super beijo...



MARINA SIMÕES

Caro amigo Roberto, muito obrigada por suas sábias e verdadeiras palavras. Como é bom encontrarmos no nosso dia adia pessoas que comungam nossas idéias, nossas críticas, ou mesmo comentário sobre determinados assuntos. Eu procuro escrever e mostrar mensagens de
fé, de esperança, ou mesmo um alento carinhoso para nós que vivemos um mundo tão cruel, egoísta e caótico. Estou tentando escrever um comentário sobre seus textos. Parabéns, eu os tenho como que a "arquitetura" com as palavras. É um estilo totalmente seu, e meu amigo é simplesmente estimulante. Ele nos faz pensar e isto é muito bom. Um grande abraço. Marina.



JOÃO RENATO
Aqui estou eu novamente é impossivel não entrar aqui para vê estas maravilha por vc postada. Forte abraço do seu amigo hoje e sempre...........

ADALGISA
Parabéns! meu amigo querido!!!Adorei seu blog, mensagens lindas e suaves como a tua persoalidade e seu jeito de ser!!!Abraços e beijos.
TIAGO ROBERTO FIGUEIREDO
Parabéns professor José Roberto seu blog está divino..abs !
JAIRO FERNANDES
Olá, Querido Professor José Roberto! Fiquei muito emocionado com suas mensagens postadas, gostaria muito de revê-lo novamente após muitos anos, você fora meu professor e tenho muita saudade, gostaria que enviasse-me o seu endereço.ʺ Deus te ilumine sempreʺ Pois fazes parte de minha história de vida.
ALICE MARIA
Oi tio.Muito lindo seu cantinho na internet. Tô de olho. Lembro também de algumas coisas lá da Serra, principalmente da venda do vô Rubens. Beijo ,Alice Maria.

WANDA COBO

WANDA COBO

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