Desenvolvimento, tecnologia, indústria, trabalho e educação permeiam o atual momento que é de mudanças e incertezas. A tecnologia advém do conhecimento e promove impactos profundos na humanidade que já passou por três Revoluções Tecnológicas, transformadoras da sobrevivência e convivência social. Revolução significa mudança de paradigmas, diruptura de conceitos e inflexões que redimensionam os recursos humanos e materiais de uma sociedade exigindo preparo e melhor educação.
A primeira, entre um milhão e 400 mil anos atrás, o domínio do fogo que aqueceu, melhorou e conservou os alimentos e sua absorção. Imaginam-se grupos humanos em torno de uma fogueira protegendo-se de predadores, conversando, trocando experiências, transferindo conhecimentos em um processo civilizador que moldou nossa evolução. A educação nasceu dessas interações. A segunda, há dez mil anos, protagonizada pela agricultura e pecuária, melhorou a alimentação, sedentarizou grupos humanos, erigiu cidades e o Estado, gerando necessidades e o desenvolvimento de novas necessidades e capacidades que, supridas eram ensinadas às novas gerações. Aprendeu-se a trabalhar o cobre, o bronze e o ferro. Produziram-se riquezas, guerras e destruição, mas a colaboração prevaleceu e a humanidade sofisticou-se material, social e intelectualmente. A terceira foi a industrial, surgida na Inglaterra no século 18. A produção a ser feita por máquinas, substituindo a força e as habilidades humanas. Suprimiu formas de organização do trabalho, fez surgir novas profissões, habilidades e necessidades. Transformações intensas que ainda não cessaram, dividindo-a em quatro grandes períodos, com outras revoluções rápidas, disruptivas, inflexivas, paradigmáticas, exigindo novas capacidades.
Da máquina de vapor da Primeira Revolução Industrial ao motor a combustão da Segunda em fins do século 19 e início do 20, com o uso intenso do aço, eletricidade, química fina, automóvel e linha de montagem. A humanidade aproximou-se com o telégrafo, telefone e o rádio. Mudaram-se conceitos, usos e costumes, a educação firmou-se como bem intangível dos povos.
O século 20 foi marcado por conflitos, guerras e divergências, intensidade é a palavra que o define melhor. Em seu final, a globalização impulsionou a Terceira Revolução Industrial, a tecnologia da informação e uma poderosa infraestrutura de comunicações. Investiu-se em áreas então impensadas: computadores, linguagem digital, comunicação via satélite, conexão de equipamentos, maior difusão de informações, inteligência artificial, etc. Chegou-se a Quarta Revolução Industrial ou 4.0, discutida em editorial desta FOLHA (19/7), melhor expressada pela internet, a rede mundial de computadores.
A Revolução 4.0 produz progresso, sofisticação, facilidades e gera angústias nas pessoas, a exemplo das revoluções tecnológicas anteriores. A rapidez e aplicação imediata de seus produtos faz com que uma parcela significativa da população mundial não consiga compreendê-la e encontrar o seu espaço nos cenários produtivos que se desenharam. A fragilidade do trabalho, da qualificação profissional e do conhecimento nunca foram tão intensos.
A desqualificação se combate com educação, cada vez mais necessária, no ritmo das transformações tecnológicas, em especial as da informação e comunicação. Educação, cujos problemas no Brasil foram mostrados pela FOLHA (GERAL 31/8), exige investimentos na formação de professores, capacitação contínua, redimensionando a prática docente e sua importância. Sem bons profissionais motivados, comprometidos e com recursos materiais, não haverá condições do País adentrar ao novo mundo que emerge tomado por máquinas que não possuem compaixão e emoções. O professor é um modelo e exemplo forte na formação das gerações que já nasceram conectadas e digitalmente aproximadas.
Investir em educação, qualificar professores, preparar o País, viver a Revolução 4.0, envolvendo a sociedade é o mínimo que se espera do Estado. Tecnologia, educação e desenvolvimento capazes de enfrentar a disruptura , a inflexão e possibilitar o redimensionamento adequado de nossos recursos humanos e materiais. Uma ação, um comprometimento mais que político, social. (FONTE: Crônica escrita por ROBERTO BONDARIK docente e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, página 2, coluna ESPAÇO ABERTO, quinta-feira, 13 de setembro de 2018, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA). * Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. Email: opiniao@folhadelondrina.com.br
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