terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

TENSÃO EM bRASÍLIA


   A nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil ainda está rendendo problemas para ex-presidente Dilma Rousseff. Vista como uma tentativa de blindar Lula nas investigações da Lava Jato, a nomeação do petista é um dos motivos que levaram a Polícia Federal (PF) a sugerir que Lula e Dilma sejam denunciados – em primeiro grau – pelo crime de obstrução da Justiça. A PF também atribuiu ao ex-ministro Aloizio Mercadante o crime de tráfico de influência. Em um relatório do inquérito, o delegado da PF Marlon Oliveira Cajado dos Santos, do Grupo de Inquérito da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, pede que os três sejam denunciados no âmbito da Justiça Federal do Distrito Federal porque eles não têm mais foro privilegiado na Corte máxima. O relatório foi encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), e também para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A Polícia Federal considerou que a nomeação de Lula como ministro, em março do ano passado, provocou “embaraço ao avanço da investigação da Operação Lava Jato”. A nomeação de Lula foi barrada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). É interessante observar que a conclusão do relatório da polícia aconteceu na mesma semana em que o ministro Celso de Melo , do Supremo, deu parecer favorável à nomeação de Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Casa Civil do presidente Michel Temer. Fanco foi citado em delações de executivos da empreiteira Odebrecht. Quanto a Aloizio Mercadante, a polícia aponta a gravação de uma conversa que provaria a intenção do petista em barrar a delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral. A PF vê uma intenção comum nas atitudes de Dilma, Lula e Mercadante: atrapalhar as investigações da Lava Jato, que completa três anos em 14 de março. Qualquer tentativa de intervenção em investigações que apuram corrupção na política devem ser denunciadas e combatidas. E a preocupação aumenta neste momento em que a atenção dos brasileiros se volta para as delações da Odebrecht, que prometem fazer tremer o mundo político. Isso porque os depoimentos dos executivos da maior empreiteira do País devem revelar mais detalhes sobre como funciona a atuação dos partidos políticos, agentes públicos e empresas em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. (OPINIÃO, página, 2, terça-feira, 21 de fevereiro de 2017, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

SOM DO CORAÇÃO



   Depois que a filha fez cirurgia para retomar audição perdida, mãe, também surda, resolve passar pelo mesmo procedimento para compreendê-la melhor

   Com surdez profunda desde bebê, a dentista Alexandra Mottola Tavares, 35, conseguiu desenvolver bem a fala e sempre se virou fazendo leitura labial. Nunca esteve em seus plano tentar otimizar mais a audição.
   Mudou de ideia depois da chegada da primeira filha, Maria Paola, 5. A garota herdou sua deficiência auditiva, mas fez o chamado implante coclear. Agora ouve com desenvoltura e impõe novos desafios na relação com a mãe. 
   A cirurgia da menina foi realizada quando ela tinha um ano e seis meses, na Santa Casa de São Paulo, pelo SUS, que banca o procedimento em apenas um dos ouvidos. 
   O implante é feita na cóclea, na parte interna da orelha, e tem potencial de resultados muito superior a qualquer aparelho auditivo, quando indicado – em cerca de 80% dos casos, segundo especialistas. 
   Hoje em dia, Maria Paola canta, tagarela, fala com desenvoltura e sem intercorrências – o que é natural no caso dos surdos -, além de perceber sons sem olhar para a boca das pessoas (para ler os lábios), ponto que mais mexeu com as convicções da mãe. 
   “Existia a tecnologia, eu era apta a adotá-la e percebi que se eu pudesse ouvir melhor, minha filha também poderia se beneficiar, a nossa interação seria melhor. E assim tem sido. As respostas da nossa comunicação evoluem a cada dia. Pedi orientação em oração e tudo está dando certo”, afirma a mãe. 
   Alexandra fez a operação de implante com êxito, há cerca de um ano, no Hospital das Clínicas de Campinas (SP), também pelo SUS. Não sente nenhum incômodo, mas está se acomodando aos poucos com a tecnologia. 
   “Já consigo ouvir mais que o dobro do que conseguia com o aparelho antigo, tradicional [não invasivo] . O som agora é mais claro, limpo. Percebo o som da chuva, dos passarinhos e até a gritaria das crianças”, diz. 
   Alexandra e a filha, e também um de seus irmãos, uma tia e a mãe, possuem a síndrome de Waardenburg, de ocorrência genética, e que, além da surdez, pode ter repercussões na pele e na coloração do cabelo. 
   “O percentual de passar a surdez é de 50% e a Paola herdou de mim. Ela é a mais velha. Tenho outros dois filhos, Samuel, 3, e João David, de 1 ano e 8 meses. Os meninos ouvem perfeitamente. Agora, com o implante, consigo diferenciar os choros e os gritos de todos. Sei quando é uma brincadeira ou que algo errado aconteceu.”
   SOMBRAS
   A dentista, formada pela Universidade Federal de Alfenas, tenta atualmente perceber a voz dos filhos sem fazer a leitura labial, o que desenvolveu com 12 anos de fonoaudiologia e atenção da família. Maria Paolo também faz fono, mas raramente precisa olhar para o interlocutor para entendê-lo. 
   “Estou aprendendo muitas coisas. A minha adaptação à leitura labial é grande e é difícil reprogramar o cérebro. Na faculdade, os professores, às vezes, se esqueciam de olhar para os alunos na hora da explicação ou usavam projetores, então, fui conseguindo ler os lábios deles mesmo nas sombras.”
   A segurança dos filhos também pesou na decisão da mãe, que fica a maior parte do tempo em casa cuidando deles. O pai, Francimar Bernardino Tavares, 30, é enfermeiro e trabalha também em período noturno. 
   “Pedi muito a Deus para me ajudar com o cuidado dos meus filhos. Fiz o implante por eles, para aumentar a segurança e melhorar minha relação com eles. Com outras pessoas, podia pedir para falar mais devagar, para olhar para mim [para ler os lábios], mas com as crianças o processo é bem mais difícil. 
   ENCONTRO
  No último dia 11 de fevereiro, em São Paulo, o Parque Ibirapuera recebeu um dos maiores eventos de troca de experiências e informações entre surdos implantados do mundo, o Cochlear Day.
   Foi em uma das edições anteriores do evento que Alexandra obteve mais informações sobre o dispositivo e se encorajou a fazer a cirurgia. 
   “No meu caso, tudo está sendo ótimo até aqui e acho que vai melhorar mais, meus filhos vão ganhar mais com uma mãe que pode compreendê-los melhor, mas a decisão de fazer ou não o implante é de cada um, assim como são individuais os resultados da cirurgia”, diz a mãe. (JAIRO MARQUES – ENVIADO ESPECIAL A ITU (SP), caderno COTIDIANO, página B7, domingo, 19 de fevereiro de 2017, publicação do jornal FOLHA DE S.PAULO.

DAR PALPITE


   Palpite é coisa que todo mundo sabe dar. É fácil. E sempre vem com uma desculpa até convincente: “Eu só quero ajudar!”.
   Pare um pouco e analise o que são palpites e o que eles fazem. Quase sempre só atrapalham. Por quê? Palpites são subjetivos, são opiniões ou ponto de vista pessoais e, por isso, inúteis a maior parte das vezes. 
   Normalmente as situações que exigem discussão carecem de objetividade, de palavras diretas que permitam ao responsável traduzi-las em prática e execução. 
   Vou dar um exemplo. Quando eu estudava música, certo dia tive de interpretar uma partitura a um grande professor cujo comentário foi: “Está faltando vida!”
   Eu então lhe pedi que me dissesse exatamente qual era o problema. Ritmo? Afinação? Eu carecia saber com clareza, pois, tão logo soubesse, poderia acionar um desempenho adicionando sua orientação.
   Foi então que ele me pediu mais velocidade em determinado trecho, especificando os compassos aos quais se referia. 
   Eu entendi, pratiquei e insisti até chegar à sua instrução. Ao final até recebi um elogio.
É preciso entender vez por todas que uma opinião objetiva, bem refletida e fundamentada sobre um aspecto lógico pode ajudar. Mas só pessoas preparadas têm competência de fazê-lo. Se este não é o seu caso, por favor, cale-se e cuide de fazer bem o trabalho que lhe foi confiado em vez de complicar a vida dos outros. 
   Em tempo de carnaval, aproveito a oportunidade para homenagear o grande Noel Rosa, compositor brasileiro, por seu samba cuja lembra comunica uma sabedoria indispensável sobre este tema: “Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!” (Crônica de ABRAHAM SHAPIRO, consultor e coach de líderes em Londrina, caderno FOHA EMPREGOS E CONCURSOS, coluna ABRAHAM SHAPIRO, segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

POBREZA EXTREMA VOLTA A CRESCER NO PAÍS

 
   A extrema pobreza volta a crescer no Brasil. Após uma fase de progresso econômico e social entre os anos 2003 e 2014, desde o ano passado, os brasileiros percebem um movimento inverso. Nos 10 anos de avanço econômico, calcula-se que mais de 29 milhões de pessoas saíram da pobreza e a desigualdade diminuiu de maneira expressiva. Naquele período, o nível de renda dos 40% mais pobres aumentou, em média, 7% em comparação ao crescimento de renda de 4,4% observado na população em geral. Mas a crise econômica está mudando esse cenário. Um recente estudo do Banco Mundial aponta que 3, 6 milhões de pessoas podem entrar na linha de pobreza no Brasil em 2017, somando-se aos atuais 20,9 milhões de pobres, cuja renda familiar não chega a R$ 150 mensais per capita. Em Londrina, segundo a Prefeitura, 19 mil pessoas estão nessa situação. É bastante preocupante observar que as conquistas da população mais humildes estão ameaçadas. Em reportagem publicada hoje, a Folha de Londrina mostra a dificuldade de famílias londrinenses que viram o seu poder de compra cair assustadoramente em 2016. A reportagem visitou o assentamento Nossa Senhora Aparecida, área de invasão na zona norte do município. Os moradores contam que nos últimos dois anos o número de casas improvisadas cresceu de 600 para 800 unidades. Muitos dos novos vizinhos são pessoas que perderam o emprego e não conseguiram mais pagar o aluguel. O Banco Mundial considera abaixo da linha de pobreza as pessoas que vivem com menos de R4 140 por mês. Os cálculos são feitos com base em dados oficiais como inflação, desemprego e Produto Interno Bruto (PIB). A maior parte dos “novos pobres”, como diz a instituição, vive nas áreas urbanas. Aquela, “nova classe média”, que tanto se falava há alguns anos, acabou vítima de uma série de erros na política econômica do País. O Banco Mundial recomenda a ampliação do Bolsa Família para amenizar o impacto da extrema pobreza, problema comum a todos os Estados. A solução é um grande desafio. Por um lado, o poder público não pode mais esperar para realizar as ações e reformas políticas e econômicas necessárias para o País voltar a crescer. Por outro lado, a sociedade precisa entender que todo cidadão precisa fazer parte de ações transformadoras, que ajudem a promover a educação, a saúde e a redução da desigualdade social. (OPINIÃO, página 2, segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA). 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

AS REDES SOCIAIS E O COMPORTAMENTO HUMANO


    Inegavelmente as redes sociais transformaram a sociedade como um todo. Os efeitos podem ser analisados sob uma ótica pessimista, otimista ou realista. Primeiramente, pode-se dizer que as redes promovem reencontros e aproximações. Uma conexão nesta Aldeia Global, apesar das distâncias, diferenças culturais e de idiomas. Certamente alguns conceitos como amizade, comunidade, grupos e relacionamentos afetivos em geral estão em fase de “re-significação.”
   Neste sentido, alguns ganhos são extraordinários, indivíduos mais introvertidos, pessoas com dificuldade de comunicação, que inclusive apresenta, exclusão social conseguem desenvolver habilidades no meio virtual, que podem favorecer interações saudáveis, repercutindo positivamente na qualidade de suas vidas. 
   A velocidade da informação também pode trazer benefícios. Em desastres, guerras e momentos de dificuldade, as redes promovem rápido retorno sobre pessoas. Maximiza a possibilidade de ajuda, apoio, campanhas em prol de sociedades/comunidades que se encontram em situação difícil. O sentimento de solidariedade e a aproximação em prol de uma ideologia podem contribuir para um mundo melhor. 
   Negativamente, observa-se certa tendência de dominação das redes sociais em relação ao indivíduo. Em primeira instância, há o vício, no sentido em que as pessoas apresentam dificuldades em “desligar”, “desconectar”. A sensação é de que terão perdas, no sentido de “estar de fora”, de “não pertencer”. Isto explica a dispersão dos jovens no estudo, a falta de concentração de profissionais no ambiente de trabalho e os acidentes em geral, inclusive os de trânsito.
   Em seguida, percebe-se que a dominação invade a identidade do ser humano, eliminando a necessidade da existência de um EU real. Fazendo uma analogia, ao entrar na rede, para boa parte dos seus usuários, o pré-requisito é a alienação. O compartilhar parece ecoar uma única voz, modela pensamentos, atitudes, preferências, estilos, de tal forma que o “copiar” e “colar” tornou-se uma ação involuntária. Como se o ser humano não tivesse mais consciência própria para este agir. 
   As sefies e fotos chocam quando em sua maioria mascaram a realidade. Falsos sorrisos e correções faciais/corporais que simbolizam os padrões estéticos e ditadura da perfeição, tornam pessoas despersonalizadas. O EU virtual torna-se aquele que predomina, o que de certa forma, compromete o EU real. A dificuldade é demonstrada para SER-AGIR-COMUNICAR. Em outras palavras, para EXISTIR na vida como ela é. 
   O culto às chamadas “celebridades” é outro exemplo preocupante. Mulheres e homens de todas as idades seguem seus ídolos para reproduzirem corte e cores de cabelo, maquiagens, estilos de vida, dietas, práticas de exercícios e o corpo ideal. A falta de questionamento e a reprodução cega trazem algumas consequências como consumo desenfreado, além de doenças físicas e mentais das mais simples às mais severas. 
   A premissa de que o ser humano é um eterno insatisfeito é ainda mais válida nas redes sociais. O lado bom é que se você for autêntico, conseguirá ter um EU real e um EU virtual coexistindo. As redes podem conduzir você a um questionamento, a uma busca maior e mais profunda do conhecimento e a uma percepção mais crítica da realidade e de si mesmo. O lado ruim é que se você quiser ser igual a todo mundo e apropriar-se da rede para poder existir, terá uma grande dificuldade em viver a vida como ela é. (DANIELLA FORSTER, psicóloga, mestre em Administração e especialista em coaching de carreira, é  coordenadora do PUC Talentos, da PUCPR, caderno FOLHA MAIS, página 4, coluna PENSAR MAIS, 18 e 19 de fevereiro de 2017, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA).

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Comentários

Wanda Cobo

"Maravilha meu amigo, continue nos deliciando com suas ideias." W.D Londrina-Pr


Adilson Silva

Olá Professor José Roberto, Parabéns pelas excelentes matérias , muito bom conhecimento para todos. muita paz e fraternidade. Londrina-Pr

Marcos Vitor Piter

Excelentes e Sabias palavras parabéns Professor um Abraço dos Amigos de Arapongas - PR.

João Costa

Meus parabéns por vc e por tudo que pude ler continue levando este conhecimento p/ todos. Forte abraço! João Batista.
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Meu amigo continue contribuindo com a sua sabedoria. Forte abraço... João Batista 31/10/2013
Daiane C M Santos
Parabéns, muito criativo e inteligente!
Zeze Baladelli
Oi meu amigo,entrei seu blog,parabéns querido,voce é um gentleman,um grande amigo e muito inteligente,desejo que Deus te abençoe mais e mais...super beijo...



MARINA SIMÕES

Caro amigo Roberto, muito obrigada por suas sábias e verdadeiras palavras. Como é bom encontrarmos no nosso dia adia pessoas que comungam nossas idéias, nossas críticas, ou mesmo comentário sobre determinados assuntos. Eu procuro escrever e mostrar mensagens de
fé, de esperança, ou mesmo um alento carinhoso para nós que vivemos um mundo tão cruel, egoísta e caótico. Estou tentando escrever um comentário sobre seus textos. Parabéns, eu os tenho como que a "arquitetura" com as palavras. É um estilo totalmente seu, e meu amigo é simplesmente estimulante. Ele nos faz pensar e isto é muito bom. Um grande abraço. Marina.



JOÃO RENATO
Aqui estou eu novamente é impossivel não entrar aqui para vê estas maravilha por vc postada. Forte abraço do seu amigo hoje e sempre...........

ADALGISA
Parabéns! meu amigo querido!!!Adorei seu blog, mensagens lindas e suaves como a tua persoalidade e seu jeito de ser!!!Abraços e beijos.
TIAGO ROBERTO FIGUEIREDO
Parabéns professor José Roberto seu blog está divino..abs !
JAIRO FERNANDES
Olá, Querido Professor José Roberto! Fiquei muito emocionado com suas mensagens postadas, gostaria muito de revê-lo novamente após muitos anos, você fora meu professor e tenho muita saudade, gostaria que enviasse-me o seu endereço.ʺ Deus te ilumine sempreʺ Pois fazes parte de minha história de vida.
ALICE MARIA
Oi tio.Muito lindo seu cantinho na internet. Tô de olho. Lembro também de algumas coisas lá da Serra, principalmente da venda do vô Rubens. Beijo ,Alice Maria.

WANDA COBO

WANDA COBO

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