segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PEDAGOGIA DA RODA UMA FORMA DIFERENTE DE PENSAR A EDUCAÇÃO


                              Tião Rocha, que deixou de ser professor para ser educador, já mostrou que o processo de ensino-aprendizagem pode ocorrer até debaixo de um pé de manga.

     Para responder à pergunta “é possível ter boa educação sem escola?, feita por ele mesmo, certa vez, durante uma entrevista em um programa de rádio, o antropólogo e educador popular Tião Rocha  foi para a prática. Ele e 26 ouvintes que aceitaram o seu desafio trataram de juntar garotos que, sentados em roda, ao ar livre, elencaram os temas que queriam aprender . Isto ocorreu na periferia de Curvelo, no sertão de inas Gerais.
     É assim que nasce a pedagogia de roda. E com ela Rocha comprovou que o processo de aprendizagem pode acontecer até embaixo de um pé de manga, desde que tenha bons educadores e que se entenda que educação  não é uma via de mão única. Esta pedagogia está dentro do Projeto Sementinha que virou política pública em 25 municípios e cinco estados e está sendo desenvolvido em três países.
     Há 32 anos, Rocha idealizou o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPDC), que se dedica a encontrar novos caminhos para a aprendizagem.  Na semana passada, ele esteve em Londrina para participar de um congresso realizado pelo Colégio Marista e conversou com o JL.
Entrevista     Tião Rocha, antropólogo e educador popular
                          ‘O EDUCADOR É AQUELE QUE APRENDE’
JL: Como você começou a se dedicar à educação popular?
Tião Rocha: Fui professor durante boa parte da minha vida. Em determinado momento, quando era professor na Universidade Federal de Ouro Preto, tive uma coisa que os americanos chamam de insight e lá em Mina Gerais chama de clarão. Não queria mais ser professor, queria ser educador.

Qual a diferença?
O professor é aquele que ensina. O educador é aquele que aprende. E para ensinar você não precisa saber,  basta retransmitir idéias alheias. Enquanto estava no lugar da “ensinagem” não precisava acreditar no que estava falando, simplesmente cumpria um programa  reproduzindo uma idéia que nem sempre era minha. Ao mudar de lugar, você começa a ter de ouvir o outro para ver onde o outro está  e como ele percebe o mundo. Aí só faz sentido o que tenho para levar para o outro se aquilo  me faz sentido. Então. ( não se trata) do que li, mas daquilo que acredito, é vivencial.

O que é educação para você?
Educação é uma coisa que só acontece no plural. Não existe educação no singular. O eu sozinho não educa. Para educar são necessárias no mínimo duas pessoas: o eu e o outr

Você não fala aluno, mas outro. Como deve ser o olhar do educador para o outro?

Entre o eu e o outro o que existe é uma relação de troca entre pessoas diferentes. Aí é preciso desconstruir outra lógica e passar a olhar o outro como diferente e não como desigual, sem criar analogia de classificação do outro a partir de estereótipo ( ele é preto, ele não estudou, ele é feio, ele é gordo). Esse exercício é a grande aprendizagem   como educador.

Como deve ser um bom educador?
O bom educador é aquele que consegue construir uma pedagogia própria. Ele não fala entre aspas, ele fala com autoria sobre qualquer tema. Ele fala sobre o que refletiu, metabolizou, incorporou e transformou como valor. E ele consegue aprender o outro. Mas essas coisas são microscópicas, então você tem de  perceber o outro na sutileza. A aprendizagem se dá a partir da parte cheia do copo e não preenchendo a parte vazia.

Como você avalia a escola hoje?
Se parece muito com uma fábrica, com sua linha de produção: com um hospício, com seu conteúdo anacrônico; com uma cadeia, com suas grades; com um quartel, porque tem hierarquia. Ela só não se parece com um lugar de aprendizagem. Essa  escola está sendo cada vez mais questionada, porque não consegue mais dar sentido às pessoas. Mas vejo que já estão discutindo novos caminhos. Têm escolas no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas  Gerais, Piauí que se transformaram quando educadores e comunidade se assumiram. Mas ainda é um caminho longo. ( Reportagem de ERIKA PELEGRINO, erikap@jornaldelondrina.com.br publicada pelo JORNAL DE LONDRINA, domingo 28 de setembro de 2014).

sábado, 27 de setembro de 2014

AS GALINHAS DA TIA AURÉLIA


     A tia Aurélia, que era irmã de meu pai, era uma boa tia, que gostava muito de nós. Morava em u m pequeno sítio  perto de um vilarejo.  Era muito caprichosa, tinha uma bela horta, porcos e grande quantidade de galinhas. À tarde, quando ia tratar das galinhas, o terreiro ficava “coalhado” das mesmas. Mas a tia tina um problema, pois era muito econômica, para não dizer “pão-dura”.
     Certa vez, nossa família foi passar um final de semana com eles e pela manhã ela falou para minha mãe “Cunhada, um frango é pouco para nós e dois é muito, então não vou matar nenhum”. Passamos o final de semana comendo polenta e verduras.
     Em outra ocasião, fomos passar uns dias com eles. Foram nossos  pais  e meus dois irmãos. Chegando lá, nossos primos foram logo dizendo que havia um circo no vilarejo. À noite fomos ao espetáculo. Ficamos empolgados com o mágico, com o palhaço Pimpão, com as duplas de cantores sertanejos e outras atrações. O circo era modesto e humilde.
     No dia seguinte, à tarde, voltamos para ver o circo novamente, mas o espetáculo era só à noite. Então o palhaço Pimpão, que era o dono do circo, fez uma proposta para nós.  Daria dois ingressos para cada galinha que levássemos. Negócio fechado. Voltamos para o sítio e, escondido da tia, pegamos três galinhas e à noite partimos para o espetáculo. Isso se sucedeu todas as noites que ficamos lá
     O dia da partida chegou e voltamos para casa. Pouco tempo depois, recebemos uma carta furiosa da tia relatando o acontecido Faltavam mais de 20 “penosas”. Nossos primos “pagaram o pato” e nos dedaram. Fomos severamente reprimidos pelo osso pai.  Eu só voltei à casa da querida tia quando já era adulto, o que foi motivo de muitas brincadeiras. A tia, idosa, alegre, só sorria.

     Ah, sim, nos dias que fiquei lá comi frango de manhã, no almoço e no jantar. Os anos se passaram e assisti muitos grandes circos e maravilhosos espetáculos circenses, mas nenhum foi mais empolgante  do que o circo do palhaço Pimpão . E também as galinhas mais deliciosas de nossas vidas. E a gente dizia uma galinha é pouco,  mas duas vale um ingresso.  ( Extraído do espaço DEDO DE PROSA, escrito por SIDNEY GIROTTO, leitor, publicado na FOLHA RURAL do jornal  FOLHA DE LONDRINA, SÁBADO, 27 DE Setembro de 2014). 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

NÚMERO DE TRABSPLANTES CRESCE 84%


     Brasília – Entre 2003 e 2013, o número de transplantes realizados no País  cresceu 84% - saltou de 12,722 para 23.457 no período. Houve ainda um aumento no número de doadores  efetivos.  Em 2008,  foram pouco mais de 1,3 mil doadores e, neste ano, a estimativa é que chegue a 2,6 mil.
     Segundo pesquisa feita pelo Sistema Nacional de Transplante,  55,7% dos familiares concordaram com a decisão da doação de órgãos  - o dado sobre aceitação familiar passou a ser coletado no ano passado. O percentual está acima do registrado em países sul – americanos  com alto grau de transplantes , como Argentina (52,8%) e Chile (51,1%).
     A doação só acontece com a autorização familiar e este é o enfoque da campanha  nacional deste ano, com concentração entre os dias 24 e 27 de Setembro. O Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira, vídeos, folders e demais ações.  De acordo com a pasta , no primeiro trimestre de 2014 foram realizadas 6,6 mil cirurgias de  córnea  e 3,7 mil de órgãos sólidos, como coração, fígado e rim.
     Neste ano, o Ministério da Saúde lançou aplicativo que informa a família do usuário quando ele demonstra o desejo de ser doador de órgãos. Em 2012, o governo já havia feito parceria com o Facebook, permitindo que o internauta transmitisse a informação.  Agora,familiares    passam a ser notificados  da iniciativa. A adesão pode ser feita por meio da fanpage  do ministério e dará origem a  um banco informal de doadores, a ser coletado  pelo Sistema Nacional de Transplantes.
DEPOIMENTOS
     Na cerimônia, familiares de doadores e beneficiários de transplantes deram depoimentos. Entre eles estavam Arlita Andrade, viúva de Santiago Andrade, cinegrafista da Band que morreu em fevereiro em confronto  entre manifestantes e policiais  na central do Brasil.no Rio de Janeiro . ( Reportagem de FLÁVIA FOREQUE,  Folhapress, publicada pelo jornal FOLHA DE LONDRINA, quarta-feira, 25 de setembro de 2014, geral@folhadelondrina.com.br)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ESTA SENHORA


     É realmente estranho sentir-se jovem e, ao se olhar no espelho, se deparar com uma senhora de 58 anos... Chega a ser chocante, e até meio angustiante, esta  colisão entre o que se sente e o que se vê.  Não digo que a gente não sinta os efeitos da idade, mas mesmo assim não posso evitar sentir-me impactada ao encontrar esta mulher tão mais velha do que eu me sinto...
     Talvez a minha juventude “subjetiva” venha dos meus olhos – e não só do seu brilho, mas do seu olhar, do jeito em que enxergam o mundo – talvez do fato de ter tantos planos, sonhos e  objetivos.  Talvez  por me manter  ainda  tão ativa e criativa ( apesar de que tem vezes que me custa um pouco, preciso admiti-lo). Talvez por me sentir apaixonada, empolgada, feliz com o que tenho, com o que consegui, com que sou e faço.
     Pode ser também que a juventude que sinto em mim  venha dessa vontade de ajudar. De aprender, de crescer, de procurar e vivenciar a felicidade, de curtir o tempo, os encontros, as lições. Sinto que ainda vive em mim aquela garotinha atenta e magicamente surpresa pelos milagres de cada dia, que aguarda com fé e conversa com Deus sem fórmulas nem receios.
     Apesar da  experiência , a dor e uma certa crueldade e  calculismo que o tempo possa ter me trazido,  sei que ainda conservo um alto grau de inocência e ludicidade, que tornam minha vida  otimista e aberta à aventura, à exploração, à novidade do banal e das pequenas coisas.,,
     Então, com toda essa carga interior, que sei se reflete em  minhas  atitudes, é sumamente estranho  me olhar no espelho  e ver esta senhora olhando para mim com aquela cara de surpresa. Porque meu coração diz uma outra coisa, com certeza. Em quem devo acreditar, então?
     Pois  sem importar o que sinta, o fato é que o tempo passa e é desse jeito que apareço para o mundo. Então me pergunto, olhando no  fundo dos meus olhos brilhantes no espelho no fim, quem ganhará? É claro que não se pode esquivar a morte, mas suponho que não é isso que importa  e sim como enfrentá-la...  Então, que venha gentilmente e me leve, num abraço reconfortante e cheio de promessas, com a certeza de um reencontro com aqueles  que amei.
     Será que todos os que estão ficando velhos têm este tipo de pensamentos? Tomara que sim, porque são muito reconfortantes.  ( Crônica escrita por PAZ ALDUNATE, professora, escritora e artista plástica em Santiago, Chile – publicado na Folha 2 do jornal FOLHA DE  LONDRINA, quarta-feira, 24 de Setembro de 2014)

sábado, 13 de setembro de 2014

TUDO POR UM VOTO

  
     As novas propagandas da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) à reeleição  não estão agradando  os empresários brasileiros por mostrá-los em situações conflitantes com a classe trabalhadora e com a população mais pobre. Executivos ouvidos pelo Jornal “Folha de S. Paulo” reclamaram que estão sendo vítimas de um processo de “satanização” nas propagandas do PT que tentam desconstruir A imagem de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência.
     Um dos comerciais, que ataca a proposta de Marina de dar independência ao Banco Central, mostra banqueiros festejando  enquanto um locutor diz que a medida vai representar um risco para o emprego e os salários dos trabalhadores. Em outro vídeo, que trata da exploração do pré-sal,  homens de negócios também são retratados como “inimigos” dos investimentos em saúde e educação.
     Os empresários se queixaram ao jornal dizendo que estão sendo vítimas de um processo de “satanização” nas propagandas do PT. Infelizmente, nessa fase da campanha presidencial, a imagem honesta dos empresários é o que menos preocupa a equipe de marketing de Dilma. Afinal, está em jogo a cadeira de presidente da  república.
     Mas, assim como é injusto dizer que todo político é ladrão, também é injusto afirmar que todo empresário brasileiro segue a cartilha do capitalismo selvagem. Quem acompanha o noticiário econômico dos jornais sabe os esforços para se manter aberta uma empresa no Brasil. Empreender por aqui exige uma grande ginástica por conta das condições precárias de infraestrutura e de logística, o alto custo operacional, da pesada carga tributária, da inflação, das taxas de juros, do endividamento da população e da dificuldade para encontrar mão de obra especializada.

     Quando se fala empresarial,  não dá para separar os micros e pequenos empresários (sete milhões no Brasil e 500 mil no Paraná). Infelizmente, os marqueteiros do PT pegaram pesado. É uma pena que a corrida eleitoral justifique sujar a imagem de uma classe que gera emprego e renda. Como fica o discurso do governo federal de aproximação com os empresários, se o respeito com o parceiro é deixado de lado durante a “guerra” pelo voto?  ( Extraído  do espaço FOLHA OPINIÃO, opinião@folhadelondrina.com.br, publicado pela FOLHA DE LONDRINA, sábado, 13 de Setembro de 2014).

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Comentários

Wanda Cobo

"Maravilha meu amigo, continue nos deliciando com suas ideias." W.D Londrina-Pr


Adilson Silva

Olá Professor José Roberto, Parabéns pelas excelentes matérias , muito bom conhecimento para todos. muita paz e fraternidade. Londrina-Pr

Marcos Vitor Piter

Excelentes e Sabias palavras parabéns Professor um Abraço dos Amigos de Arapongas - PR.

João Costa

Meus parabéns por vc e por tudo que pude ler continue levando este conhecimento p/ todos. Forte abraço! João Batista.
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Meu amigo continue contribuindo com a sua sabedoria. Forte abraço... João Batista 31/10/2013
Daiane C M Santos
Parabéns, muito criativo e inteligente!
Zeze Baladelli
Oi meu amigo,entrei seu blog,parabéns querido,voce é um gentleman,um grande amigo e muito inteligente,desejo que Deus te abençoe mais e mais...super beijo...



MARINA SIMÕES

Caro amigo Roberto, muito obrigada por suas sábias e verdadeiras palavras. Como é bom encontrarmos no nosso dia adia pessoas que comungam nossas idéias, nossas críticas, ou mesmo comentário sobre determinados assuntos. Eu procuro escrever e mostrar mensagens de
fé, de esperança, ou mesmo um alento carinhoso para nós que vivemos um mundo tão cruel, egoísta e caótico. Estou tentando escrever um comentário sobre seus textos. Parabéns, eu os tenho como que a "arquitetura" com as palavras. É um estilo totalmente seu, e meu amigo é simplesmente estimulante. Ele nos faz pensar e isto é muito bom. Um grande abraço. Marina.



JOÃO RENATO
Aqui estou eu novamente é impossivel não entrar aqui para vê estas maravilha por vc postada. Forte abraço do seu amigo hoje e sempre...........

ADALGISA
Parabéns! meu amigo querido!!!Adorei seu blog, mensagens lindas e suaves como a tua persoalidade e seu jeito de ser!!!Abraços e beijos.
TIAGO ROBERTO FIGUEIREDO
Parabéns professor José Roberto seu blog está divino..abs !
JAIRO FERNANDES
Olá, Querido Professor José Roberto! Fiquei muito emocionado com suas mensagens postadas, gostaria muito de revê-lo novamente após muitos anos, você fora meu professor e tenho muita saudade, gostaria que enviasse-me o seu endereço.ʺ Deus te ilumine sempreʺ Pois fazes parte de minha história de vida.
ALICE MARIA
Oi tio.Muito lindo seu cantinho na internet. Tô de olho. Lembro também de algumas coisas lá da Serra, principalmente da venda do vô Rubens. Beijo ,Alice Maria.

WANDA COBO

WANDA COBO

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