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terça-feira, 28 de abril de 2015

DO OUTRO LADO DO MUNDO


Há duas décadas no Japão, para onde se mudou ainda criança, londrinense acaba de se formar em Engenharia Naval da Marinha Japonesa             


   Quando os ancestrais japoneses de Daniel Schimit Neto desembarcaram no Brasil, o sobrenome da família se  transformou ,  por um erro na imigração, de Shimizu para Schimit. Ao fazer o caminho inverso do bisavô, cerca de duas décadas atrás. Daniel, com pouco mais de três anos  na época, viu o sobrenome mudar. Naturalizou-se japonês, mas nunca perdeu a brasilidade.
   Meus pais sempre falaram português em casa, para que a  gente não esquecesse”, conta Daniel , nascido em Londrina. “Meu pai veio antes para cá, quando recebeu um convite para trabalhar como engenheiro.  Eu  e minha mãe viemos depois”, lembra  Daniel, que por lá  ainda ganhou um irmão sete anos mais novo.
   No mês passado, a relação com o Japão ficou ainda mais  estreita. Daniel se formou em Engenharia Naval pela Marinha Japonesa .  “A história é bem longa”, avisa, sobre como entrou para as Forças Armadas. “Desde pequeno eu sempre quis ser médico”, lembra Daniel, que até chegou a freqüentar um cursinho para ingressar na faculdade de Medicina. “Fizemos um empréstimo para pagar o cursinho, que aqui é o preço de um carro”, contextualiza.
   “Mas meus pais ficaram sem emprego por causa da crise mundial, que afetou muito o Japão. Como as faculdades daqui são caras, fui falar com os professores que não ia continuar,  que estava com dificuldades.E um deles me falou da Academia  das Forças Armadas. No Japão é um pouquinho diferente aí do Brasil, que tem cinco academias, aqui é uma só. O curso não é pago e ainda se recebe para estudar e por isso é mesmo muito concorrido.  Os professores  já tinham me avisado que seria quase impossível eu entrar porque seria difícil escolherem um brasileiro ao invés de um japonês”. Para o londrinense, o fato de já ser naturalizado ajudou nas questões burocráticas. “Foi um caminho de Deus, se tivesse que providenciar os documentos naquele momento, não daria tempo”, relata.
   “Amanhã é minha formatura e não consigo pensar em outro caminho para mim. Não consigo me imaginar em outro serviço, gosto muito do que estou fazendo. Quando eu entrei, não era o que eu queria, apesar de achar que todo homem, menino, sempre tem o sonho do uniforme. Mas depois de quatro anos,  vejo que foi o caminho certo”, afirma.  Daniel ainda tem pelo menos mais um ano de treinamento pela frente, sendo que os próximos seis meses serão dentro de um navio em um cruzeiro pelo mundo. “Não sei para onde vamos.  A  última turma passou pelo Brasil, mas não sei, porque não costumam repetir os percursos”, adianta. Sem a farda, o londrinense visitou a terra natal umas seis vezes nos últimos 20 anos. Com a tecnologia, as redes sociais e os aplicativos de mensagens  instantâneas, as relações com o Brasil seguem fortes. “Todo dia quando eu acordo, tem  umas 50 mensagens de WhatsApp”, diverte-se.
   Nos últimos dois anos, Daniel foi o representante japonês de uma conferência internacional de cadetes. Na mais recente, o londrinense foi selecionado como um dos organizadores  e conviveu, durante uma semana, com gente de todos os cantos do planeta. “Foram 30 cadetes de 19 países. Trocamos  experiências”, lista. ( ( Reportagem Local, KARLA MATIDA, caderno FOLHA GENTE, publicação do jornal FOLHA DE LONDRINA, 26 de abril de 2015).

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